Eutanásia
Publicado por Espoleta em 26/04/2008
Segundo o wikipedia:
Eutanásia (do grego ευθανασία – ευ “bom”, θάνατος “morte“) é a prática pela qual se abrevia a vida de um enfermo incurável de maneira controlada e assistida por um especialista.
No Brasil é uma prática ilegal (somente na Holanda é legal). Vale lembrar o que diz nossa Constituição (de 1988 ):
TÍTULO II
Dos Direitos e Garantias Fundamentais
CAPÍTULO I
DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOSArt. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:(…)
Mas e quando, contrariando a Constituição, um indivíduo muito doente ou sua família optam pelo fim do sofrimento adiantando sua morte? Ou seja, desejam a eutanásia? Ai gera-se toda uma polêmica, que envolve ética (no caso, bioética, a ética da vida), biodireito (ramo da ciência jurídica, que visa a ordenar, a partir de métodos, princípios e normas próprias, as situações jurídicas que decorrem da biologia molecular e da biotecnociência) e religião. Bem antes de dar qualquer opinião sobre a eutanásia , vamos ver os tipos que existem:
Quanto ao tipo de ação:
- Eutanásia ativa: há um ato deliberado de provocar a morte sem sofrimento do paciente, por fins misericordiosos.
- Eutanásia passiva ou indireta: deixa-se a doença evoluir, não iniciando a ação médica ou interrompendo-a. A morte do paciente ocorre dentro de uma situação de terminalidade. São cessadas todas e quaisquer ações que tenham por fim prolongar a vida. Não há por isso um ato que provoque a morte (tal como na Eutanásia Ativa), mas também não há nenhum que a impeça (como na Distanásia).
- Eutanásia de duplo efeito: quando a morte é acelerada como uma conseqüência indireta das ações médicas que são executadas visando o alívio do sofrimento de um paciente terminal.
Quanto ao consentimento do paciente:
- Eutanásia voluntária: quando a morte é provocada atendendo a uma vontade do paciente.
- Eutanásia involuntária: quando a morte é provocada contra a vontade do paciente.
- Eutanásia não voluntária: quando a morte é provocada sem que o paciente tivesse manifestado sua posição em relação a ela.
Há dois termos ligados à eutanásia que vale a pena serem explicados:
Distanásia – continuação da vida de um doente terminal por meios artificiais. É o prolongamento artificial da vida de uma pessoa biologicamente morta. É considerada uma morte com sofrimento.
Ortotanásia – morte natural, sem interferência da ciência, deixando a evolução e percurso da doença. Portanto, evitam-se métodos extraordinários de suporte vida em pacientes irrecuperáveis e que já foram submetidos a Suporte Avançado de Vida. É considerada uma morte digna, sem sofrimento.
Bem, como espírita que sou, sou totalmente contra a eutanásia.
Acredito que cada um temos um tempo de vida pré-determinado e , assim, querer encurtar esse tempo, através da eutanásia voluntária, é uma forma de suicídio, conhecida como suicídio assistido
No livro dos espíritos encontramos:
Sempre se é culpado por não esperar o termo fixado por Deus (…) É sempre uma falta de resignação e de submissão a vontade do criador.
Vale lembrar que a pessoa que assim pensa estar se livrando do sofrimento, poderá estar é o prolongando mais, visto que a vida não acabaria com a morte e poderia sofrer ainda mais numa vida futura, como forma de penitência pela falta de resignação.
Para o Espiritismo, o sofrimento sempre tem uma causa e sempre há na dor um caráter evolutivo. Os instantes finais da vida ‘corporal’ podem ser de grande importância na jornada evolutiva do espírito, acreditam os kardecistas. A eutanásia acabaria assim abortando as oportunidades de crescimento pessoal para o paciente e seus familiares que a situação oferece. Assim, aqueles que optam pela eutanásia em nome do indivíduo doente (eutanásia involuntária ou não voluntária) , estará tirando essa oportunidade, e pela lei de ação e reação, pagarão pelos seus atos.
Bom vou contar um caso que aconteceu, e que independente de religião, é uma prova de que a eutanásia deve ser evitada.
O cachorro de uma tia estava muito doente. Pegou uma doença no sítio onde ele ficava (talvez estava envenenado , não sei) O veterinário dizia que ele não tinha jeito, que não sobreviveria. A eutanásia para o fim de seu sofrimento já estava marcada. Quando minha tia viu a cara dele e que parecia estar chorando, não teve coragem de levá-lo. E, então, foi que o inesperado aconteceu: como um milagre o cachorro sobreviveu e melhorou.
Então acho que esta história resume tudo.
Deve-se lutar até o fim, e ninguém tem o direito de tirar a vida de si mesmo ou de outra pessoa. Tudo tem sua hora. Como diz a constituição, o direito de viver é primordial. Não podemos nos livrar ou livrar os outros do sofrimento que precisam passar para crescerem e evoluirem.
E saber que 39% dos médicos oncologistas portugueses são a favor da eutanásia (e vai saber quantos aqui no Brasil, não só oncologistas, mas de outras especialidades são) é realmente de deixar cair o queixo. Afinal, o médico que deveria lutar até o fim pela manutenção da vida, é favorável ao encurtamento da mesma. (Lembram do enfermeiro que matava os idosos no RJ?)
Será que nossa sociedade está banalizando demais a vida?
É uma coisa a se pensar.
Fontes: http://www.ufrgs.br/bioetica/eutantip.htm
http://www.facom.ufba.br/com112_2001_2/ecosdoalem/eutanasia.html
http://parasitasdedeus.blogspot.com/2007/06/estudo-39-dos-oncologistas-quer.html





amanda almeida disse
eu gostaria de saber se ha algum caso de pessoas que sobreviveram a distanasia.
espoleta disse
A distanásia é o contrário da eutanásia. Já apareceu na mídia casos em que pessoas q ficaram 20 anos sei lá em coma e que acordaram. Isto é distanásia, já que ela se manteve viva esse tempo todo por meios artificiais. E lógico que é raríssimo isso.